SUMÁRIO EXECUTIVO E RECOMENDAÇÕES
A indústria do transporte aéreo no Brasil manteve trajetória de crescimento ao longo de 2025, superando em 3.1 p.p. as projeções mais otimistas. Destaca-se, nesse contexto, a aviação comercial internacional, que apresentou um crescimento médio anual superior a 14%, refletindo uma expansão sustentada da demanda por conectividade aérea.
A Comissão de Performance ATM (CP-ATM), estabelecida pelo PCA 100-3, “Plano de Performance ATM do DECEA”, é encarregada da gestão de performance no âmbito do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e produziu de forma colaborativa este relatório de performance, referente a 2025, utilizando métricas e definições normatizadas segundo o PCA 100-3 e o MCA 100-22, “Metodologia de Indicadores ATM do SISCEAB”, para comparar, entender e melhorar a performance dos Serviços de Navegação Aérea (ANS) prestados pelas diversas organizações e entidades no âmbito do SISCEAB.
Os dados e informações utilizados para a confecção deste Relatório, formalmente emitido anualmente, são continuamente atualizados, monitorados e disponibilizados no portal de Performance do SISCEAB no sítio eletrônico (https://performance.decea.mil.br), além dos demais produtos de performance publicados pelo DECEA.
As boas práticas e lições aprendidas, identificadas por meio das análises realizadas pela CP-ATM, são compartilhadas com todos os stakeholders envolvidos no desenvolvimento de novos indicadores e produtos, bem como na evolução do sistema de Gerenciamento de Tráfego Aéreo (ATM) nacional.
Este documento está organizado em cinco capítulos e dois anexos.
No primeiro capítulo, aborda-se a gestão orientada por performance, apresentando-se um breve histórico do Plano Global de Navegação Aérea da OACI (GANP) e das denominadas “ambições de performance”. Adicionalmente, são descritas a abrangência do estudo e as principais fontes de dados utilizadas.
O segundo capítulo apresenta as características do SISCEAB, ressaltando como os serviços de navegação aérea são organizados e fazendo uma comparação geral das organizações componentes desse Sistema. Além disso, inclui informações sobre a demanda nacional por segmento da aviação (comercial doméstica e internacional, aviação geral e militar), o ranking dos cem aeroportos mais movimentados, o movimento de tráfego aéreo por área de responsabilidade de cada uma das Organizações Regionais do DECEA, as rotas mais voadas pela aviação comercial, a densidade do tráfego aéreo, bem como a composição da frota de aeronaves no país. São também abordados aspectos como a previsão quinquenal de demanda (nacional e por FIR), questões relacionadas aos controladores de tráfego aéreo (efetivo e nível de proficiência em língua inglesa), além da influência das condições meteorológicas nos aeroportos e um resumo dos principais projetos em andamento no SISCEAB.
No terceiro capítulo são apresentados os resultados dos indicadores de performance ATM monitorados pelo DECEA, observando as metas publicadas no PCA 100-3.
O quarto capítulo aponta as conclusões dos estudos realizados e as oportunidades de melhoria a serem exploradas no âmbito do SISCEAB.
No quinto capítulo são listadas as referências utilizadas para o desenvolvimento do trabalho.
O Anexo A detalha as Organizações Regionais do DECEA com seus órgãos ATS (Centros de Controle de Área - ACC, Controles de Aproximação - APP, Torres de Controle de Aeródromo - TWR e Estações de Telecomunicações Aeronáuticas - Rádios).
Por fim, no Anexo B são apresentados siglas, acrônimos e abreviaturas.
Em síntese, o objetivo do Relatório de Performance ATM é fornecer uma visão geral da performance do SISCEAB, considerando os dados atualizados até 31 de dezembro de 2025, consolidando informações úteis ao gerenciamento desse sistema.
O Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I) gerencia a Região de Informação de Voo Brasília (FIR-BS), que com os seus 1,2 milhão de km2, possui a menor área dentre as cinco FIR do Brasil. Apesar disso, é a que apresentou o maior movimento de tráfego aéreo, com 646.258 voos, abarcando em seu efetivo 961 Controladores de Tráfego Aéreo (ATCO), o maior número entre as Organizações Regionais do DECEA.
O Segundo Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA II) possui a maior quantidade de serviços de informação de voo de aeródromo (AFIS) dentre os Regionais do DECEA, 21 AFIS. Apresenta o segundo maior efetivo de ATCO do SISCEAB, com 902 ATCO, bem como o segundo maior movimento de tráfego aéreo entre as FIR, com um total de 492.068.
O Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III) é a única Organização Regional que possui sob sua responsabilidade duas FIR, as Regiões de Informação de Voo Recife (FIR-RE) e Atlântico (FIR-AO) - esta, correspondente ao espaço aéreo oceânico.
O Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA IV) tem a maior área continental entre as FIR brasileiras, com 5,3 milhões de km2, englobando o maior número de fronteiras terrestres. Com 626 ATCO sob sua gestão, foi o Regional com o melhor índice de operacionalidade (IDBR08): 89,5%.
O Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE) é o responsável pelas duas principais Áreas de Controle Terminal (TMA) do Brasil. As TMA São Paulo (TMA-SP) e Rio de Janeiro (TMA-RJ), nesta ordem, foram as de maior movimento de tráfego aéreo em 2025. Nesse sentido, o CRCEA-SE tem a maior densidade de tráfego aéreo dentre as Organizações Regionais do DECEA, isto é, a maior concentração de voos por km2 no SISCEAB.
| ORGAO | AREA | ACC | APP | TWR | D TWR | AFIS | R AFIS | AD TOTAL | AD PUBLICO | AD PRIVADO | NUMERO ATCO |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| SISCEAB | 22.000.000 | 5 | 42 | 59 | 1 | 61 | 9 | 4288 | 477 | 3811 | 5046 |
| CINDACTA I | 1.200.000 | 1 | 9 | 11 | 0 | 14 | 0 | 977 | 128 | 849 | 981 |
| CINDACTA II | 1.700.000 | 1 | 9 | 13 | 0 | 12 | 2 | 1086 | 158 | 928 | 902 |
| CINDACTA III | 14.300.000 | 2 | 11 | 13 | 0 | 13 | 1 | 556 | 100 | 456 | 824 |
| CINDACTA IV | 5.300.000 | 1 | 9 | 9 | 0 | 15 | 6 | 1665 | 91 | 1574 | 641 |
| CRCEA-SE | 88.000 | 0 | 4 | 13 | 1 | 7 | 0 | 59 | 28 | 31 | 751 |
| ORGAO | AD MAIS MOVIMENTADO | MOVIMENTO ANUAL | DIA MOVIMENTO | DIA SEMANA | MOVIMENTO PICO |
|---|---|---|---|---|---|
| SISCEAB | SBGR | 306225 | 05/12/2025 | SEXTA-FEIRA | 6837 |
| CINDACTA I | SBBR | 157135 | 18/12/2025 | QUINTA-FEIRA | 1496 |
| CINDACTA II | SBPA | 67365 | 11/12/2025 | QUINTA-FEIRA | 1981 |
| CINDACTA III | SBRF | 92839 | 27/12/2025 | SÁBADO | 1721 |
| CINDACTA IV | SBBE | 56601 | 12/12/2025 | SEXTA-FEIRA | 1262 |
| CRCEA-SE | SBGR | 306225 | 05/12/2025 | SEXTA-FEIRA | 6837 |
Ainda no que se refere à área de responsabilidade do CRCEA-SE, o Aeroporto Internacional de São Paulo / Guarulhos continua sendo o aeroporto mais movimentado do Brasil com 306.225 movimentos em 2025, o que corresponde a um crescimento de 5,6% quando comparado com o ano anterior.
RECOMENDAÇÕES
| Recomendação | Objetivo | Benefício |
|---|---|---|
| Otimizar a gestão da infraestrutura aeroportuária | Mitigar gargalos e impactos no tempo de táxi em aeroportos-chave (Congonhas, Guarulhos), por meio da implementação de melhorias no solo. | Diminuir o tempo de táxi nos aeroportos-chave, consequentemente reduzindo gastos com combustível e emissão de CO2. |
| Expandir o uso de tecnologias de integração de dados entre sistemas de controle de tráfego aéreo. | Aprimorar a fusão de informações operacionais, aperfeiçoando a previsibilidade e eficiência dos indicadores de performance. | Obter indicadores de performance mais detalhados para otimização da performance do tráfego aéreo em diferentes fases do voo. |
| Ampliar o alcance do projeto TOTAL ATM. | Expandir sua implementação para todos os órgãos de controle, otimizar o fluxo de tráfego e a gestão de espaço aéreo. | Otimizar a alocação de recursos operacionais, especialmente da mão de obra especializada dos controladores de tráfego aéreo (ATCO), além de fortalecer a capacidade de planejamento de médio e longo prazo das necessidades de recursos humanos. |
| Fortalecer a colaboração entre o DECEA e a Comunidade ATM. | Aprimorar a acessibilidade aos produtos informacionais, fomentar a participação ativa dos diversos atores do setor na construção de soluções mais eficazes para a gestão do tráfego aéreo. | Promoção de inovação colaborativa, estimulando desenvolvimento de práticas e tecnologias compartilhadas que elevam a eficiência do sistema integrado. |
| Reavaliar e ajustar os parâmetros operacionais para otimizar as medidas ATFM. | Promover um melhor equilíbrio entre a aplicação de espaçamentos mínimos em voo e a utilização de medidas de retenção no solo (Ground Stops e GDP). | Melhorar a gestão da capacidade do espaço aéreo, contribuindo para maior fluidez e redução de atrasos. |
A implementação dessas recomendações contribuirá para a evolução do desempenho do SISCEAB, garantindo mais segurança, previsibilidade e eficiência nas operações aéreas. Ao fortalecer a infraestrutura, otimizar processos e promover a integração de dados e tecnologias, será possível elevar a qualidade dos serviços prestados, mitigar impactos operacionais e aprimorar a gestão do tráfego aéreo no Brasil.